Calcule custo de material, valor da sua hora, despesas e margem sem chute. Com uma fórmula simples e um exemplo completo.
Equipe banquinha.app · · 5 min de leitura
"Quanto eu cobro por isso?" Essa é provavelmente a dúvida mais comum de quem faz e vende artesanato. E a resposta mais comum, "olho quanto os outros cobram e coloco parecido", é também a que mais faz gente trabalhar muito e ganhar pouco.
Preço bom não é chute nem cópia. É conta. Neste artigo você vai ver os quatro componentes do preço, uma fórmula simples e um exemplo completo, do material ao valor final.
Todo preço de venda precisa pagar quatro coisas:
Além disso, o preço precisa cobrir as taxas que incidem sobre a venda, como a taxa da maquininha ou da plataforma.
Esquecer qualquer um deles significa pagar para trabalhar.
Liste tudo que vai em uma unidade do produto, incluindo o que parece pequeno:
Calcule pelo quanto você usa, não pelo que comprou. Se um rolo de fita de R$ 12 rende 40 embalagens, o custo por unidade é R$ 0,30.
Aqui está o erro mais comum: não contar o próprio tempo. Para descobrir quanto vale a sua hora:
Valor da hora = quanto você quer ganhar por mês ÷ horas trabalhadas no mês
Se você quer tirar R$ 2.400 por mês e trabalha 120 horas no negócio (6 horas por dia, 20 dias), sua hora vale R$ 20.
Lembre de contar o tempo inteiro, não só a produção: comprar material, fotografar, responder clientes e embalar também é trabalho.
São os gastos do mês que não dependem de quantas peças você vende: parte da conta de luz e de internet, aplicativo de edição, aluguel de espaço, transporte para comprar material.
Some tudo e divida pela quantidade de peças que você produz por mês:
Despesa por peça = despesas fixas do mês ÷ peças produzidas no mês
Se as despesas somam R$ 280 e você produz 40 peças, cada peça carrega R$ 7 de despesa.
Com o custo total em mãos (material + mão de obra + despesas), o preço de venda é:
Preço = custo total ÷ (1 − margem − taxas)
Em que margem e taxas entram em decimal (25% = 0,25). Essa fórmula garante que, depois de pagar as taxas sobre o valor vendido, sobra exatamente a margem que você planejou.
Por que não simplesmente somar 25% ao custo? Porque a taxa da maquininha e a margem são calculadas sobre o preço de venda, não sobre o custo. Somar porcentagens ao custo sempre deixa o preço um pouco abaixo do necessário.
Vamos precificar uma naninha costurada à mão.
Material
| Item | Custo por unidade |
|---|---|
| Tecido de algodão | R$ 9,00 |
| Enchimento antialérgico | R$ 4,50 |
| Linhas e bordado | R$ 2,00 |
| Embalagem e etiqueta | R$ 2,50 |
| Total | R$ 18,00 |
Mão de obra: 3 horas × R$ 20 = R$ 60,00
Despesas rateadas: R$ 7,00
Custo total: R$ 18 + R$ 60 + R$ 7 = R$ 85,00
Agora, a margem desejada é de 25% e a taxa do meio de pagamento é de 4%:
Preço = 85 ÷ (1 − 0,25 − 0,04) = 85 ÷ 0,71 = R$ 119,72
Arredondando, a naninha sai por R$ 119,90.
Confira: em uma venda de R$ 119,90, a taxa de 4% é cerca de R$ 4,80. Sobram R$ 115,10. Tirando o custo de R$ 85, ficam R$ 30,10 de lucro, cerca de 25% do preço. A conta fecha.
Às vezes a conta dá um valor que parece impossível de vender. Antes de baixar o preço, olhe para os custos:
Baixar o preço abaixo do custo total não é estratégia, é prejuízo parcelado.
Preço justo precisa ser bem apresentado:
Material sobe, você fica mais rápido, as despesas mudam. Refaça a conta pelo menos a cada seis meses, ou sempre que um fornecedor reajustar os preços. Uma planilha simples com os quatro componentes deixa isso rápido.
Preço bem calculado é o que transforma um hobby que dá trabalho em um negócio que dá dinheiro.
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